JACOBINA MENTZ
- admpoavista
- 17 de fev.
- 2 min de leitura
Adeli Sell

Jocobina Mentz ou Jacobina Mentz Maurer. Foi casada com João Jorge Maurer.
Ela sempre foi mais conhecida como Jacobina Mentz, mesmo com a “fama” de seu marido, tido como curandeiro.
Há pouco fiz um vídeo chamando para a leitura do livreto da Elma Sant’Ana com o título de Jacobina Maurer, editado pela Tchê/RBS em torno do Sesquicentenário da Guerra dos Farrapos que teimam chamar de Revolução Farroupilha. Há algumas passagens na vida dos Muckers, grupo liderado por Jacobina e Maurer em que ficam evidenciados os infortúnios daquela guerra, trazendo tremendos prejuízos para os recém-chegados imigrantes alemães. Logo, foi uma guerra e PONTO.
Eu falei que as pessoas deveriam ler este livreto, porque se encontra usado com alguma facilidade. É uma leitura ligeira. Muita tinta se gastou para falar deste episódio, desde textos asquerosos que a tratam pela bárbara misoginia que ainda prevalece em nossa sociedade machista, com tantos e tantos feminicídios, levando a falar dela como uma prostituta.
Este livreto da Elma Sant’Ana é importante, porque a autora como mulher e ela faz questão de dizer já tem outro olhar para a personagem Jacobina. Além disso, ela faz um passeio por vários escritos.
Não pretendo aqui adentar na análise desta autora, mas insisto que vale a pena lê-lo. O que quero, na verdade, é pedir que as pessoas, os estudiosos, olhem para o episódio dos Muckers com outro olhar. Um olhar sobre o radicalismo das crenças e dos crentes, em especial da Igreja Católica, mas também dos próprios pastores luteranos, daqueles tempos. Ajudaria a entender os exageros de certos credos da atualidade. Era como sempre é uma disputa de poder, de espaço, onde a crença é uma moeda.
Quero lembrar que há uma romance do Luiz Antônio de Assis Brasil sobre os Muckers: Videiras de Cristal. É uma ótima leitura.
Jabobina tem que ser analisada sob o ponto de vista da cultura do ódio às mulheres.
Eva é quem dá a fruta proibida. Por que se diz que tal mulher é uma “víbora”? Por que é tão fácil chamar as mulheres de puta, cadela, vadia, vagabunda?
Já se perguntaram? As questões de saúde de Jacobina sejam os desmaios frutos de epilepsia ou outra questão, levaram os grandes, os mandatários a qualificá-la de doente, mesmo que os exames da Santa Casa desmentissem esta tese.
O mesmo se dá com o marido que receita ervas, unguentos, chás etc. Era um prático, um curandeiro, se quiserem, mas nada muito além disso.
A questão é que em 1884 os Muckers, tidos como fanáticos religiosos, foram mortos pelas tropas imperiais, comandadas pelo Cel. Genuíno Sampaio, nome de uma rua no Centro Histórico da capital. Ele morreu em “combate”, mas há uma nebulosa sobre sua morte, podendo ter sido um soldado seu a matá-lo.
Foram trucidados 17 colonos, sendo que Jacobina e João Jorge foram mortos numa mata, não mais onde os outros foram mortos.
É uma triste mancha em nossa História.
O que espero é que os historiadores se debrucem sobre o tema da misoginia para compreender melhor o caso de Jacobina Mentz.
Adeli Sell é professor, escritor e bacharel em Direito.




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